250 anos da Páscoa de Madre Helena Maria do Espírito Santo
Hoje, dia 23 de fevereiro, recordamos os 250 anos da Morte de Madre Helena Maria, fundadora do Mosteiro da Luz.
Notícias do Santuário
23.02.2025 - 08:10:00 | 7 minutos

No dia 23 de fevereiro, na cidade de São Paulo, falecia Madre Helena Maria do Espírito Santo, mulher de profunda mística, fundadora do Mosteiro da Luz.
Desde 1768, Frei Galvão era Confessor dos fiéis leigos e cumpria essa função de modo exemplar. Graças ao seu preparo e maturidade espiritual, foi designado pouco tempo depois para ser confessor das recolhidas de Santa Teresa.
Essas recolhidas eram mulheres piedosas que moravam juntas em uma casa aberta em São Paulo, desde em 1685. Eram chamadas de recolhidas porque, retirando-se do convívio humano, consagravam-se a Deus. Só aos poucos, com estatutos próprios aprovados em 1748, puderam tornar-se carmelitas, morando no convento dedicado a Santa Teresa. Sacerdotes renomados, especialmente escolhidos, davam a elas uma formação espiritual.
Então chegou a vez de Frei Galvão, com pouco mais de trinta anos, ser nomeado para acompanhar e orientar a vida cristã das recolhidas. Assumiu de bom grado tal ofício, dando-lhes a assistência de que necessitavam. Nessa atividade, eis que ficou conhecendo naquele grupo de irmãs uma que se destacava pela simplicidade e fervor. Era a irmã Helena Maria do Sacramento. Vinda do interior da capitania de São Paulo, aquela jovem de 17 anos foi acolhida para ser servente do convento. Em seguida, foi aceita na comunidade para ser um novo membro: distinguia-se pela vida de intensa oração e desprendimento pessoal. Vivenciando um impressionante progresso espiritual, começou a ter visões e revelações místicas.
Certo dia, inclusive, tomou coragem e abriu o coração ao recém-chegado confessor, que era Frei Galvão, para manifestar a mensagem que ela havia recebido de Deus. Tratava-se do desejo divino de que fosse fundado um novo recolhimento em São Paulo, reunindo jovens que quisessem consagrar-se a Deus. Frei Galvão ouviu atentamente esse pedido. Por outro lado, sabia que fazia dez anos que o Marquês de Pombal, em nome da coroa portuguesa, havia proibido que fossem recebidos noviços ou noviças para a vida religiosa, não sendo permitida a abertura de qualquer outro convento.
O que fazer? Seria realmente uma inspiração divina aquela iniciativa que a irmã Helena havia lhe apresentado? Achou por bem esperar alguns dias até aconselhar-se com outros sacerdotes e pessoas dignas de crédito. A irmã, porém, insistiu. Confidenciou ao frade confessor que numa de suas visões mais recentes havia contemplado Jesus como Bom-Pastor, rodeado de várias ovelhas, umas nos braços, outras conduzidas pela mão e outras ainda querendo chegar a ele. O próprio Jesus pedia que ela iniciasse um novo recolhimento a fim de que mais e mais ovelhas pudessem chegar aos seus braços!
Frei Galvão, diante disso, convenceu-se de que o projeto merecia apoio, aliás, todo o apoio. A respeito da lei civil existente, pensou em contorná-la: para superar a proibição que havia por parte do Marquês de Pombal, podia ser organizada uma casa reunindo mulheres piedosas sem, no entanto, que elas emitissem o compromisso dos votos religiosos. Ficou acertado que a própria irmã Helena ficaria responsável por dirigir o pedido ao governador-geral solicitando a abertura da casa. Escreveu a solicitação e o documento até hoje é conservado. Sendo mulher de pouco conhecimento para escrever, é bem provável que a carta tenha sido redigida por alguém que a ajudou a preparar seus termos, porém, sem dúvida, ela ditou o texto, pois fez questão de mostrar ao governador-geral que era pela Virgem Maria Imaculada Conceição e pelas chagas de Jesus Cristo, bem como pelo amor de santa Teresa, que o pedido estava sendo endereçado a ele. No final da carta, constam a assinatura da irmã Helena e a data da missiva: 14 de novembro de 1773. O mesmo pedido foi enviado ao bispo e seu representante e houve, tanto da parte civil como da parte eclesiástica, o beneplácito. Entre idas e vindas, tudo ficou acertado: o sonho da irmã Helena estava para tornar-se realidade.
A fundação do recolhimento da Luz
Coube ao governador-geral da capitania, Luis Antônio de Souza, o Morgado de Mateus, escolher o local onde surgiria o novo recolhimento. Nas proximidades da vila, e já cidade de São Paulo, existia, junto ao riozinho Guarepe, uma área denominada "campo do Guarê", onde havia sido erguida uma capelinha dedicada a Nossa Senhora da Luz, que estava entregue aos monges beneditinos. No entanto, encontrava-se abandonada. O próprio frei Galvão nutria o desejo de que lá pudesse ser construído o novo recolhimento; e a decisão do governador-geral veio ao encontro da vontade do frei, porque ele tinha o anseio de que pudessem ser adotadas ali as práticas religiosas de devoção a Nossa Senhora que sua família havia trazido de Portugal.
Com esse acordo comum, o governador-geral determinou e providenciou que junto à capelinha fossem construídas algumas dependências para servir de moradia ao grupo de recolhidas. Eis que, então, no dia 2 de fevereiro de 1774, autoridades religiosas e civis saíram do mosteiro de Santa Teresa e se dirigiram ao campo onde havia surgido o novo recolhimento. Frei Galvão recebeu as chaves da capela e da nova construção. Com esse gesto, o governador-geral entregava ao frade a responsabilidade pelo local.
Alguns meses depois, em 8 de setembro, festa da natividade da Virgem Maria, davam entrada no recolhimento, para alegria do Frei Galvão, a irmã Helena e mais oito companheiras. A própria irmã foi constituída regente, o que, naquele tempo, significava superiora e mestra do grupo. A pedido do governador-geral, uma solene missa foi celebrada pela festa de Nossa Senhora dos Prazeres, que era uma devoção particularmente cara a sua família.
Na ocasião, de acordo com a ordem precisa de Dom Manoel da Ressurreição, recém-nomeado bispo de São Paulo, os membros do novo recolhimento não deviam continuar a ser carmelitas, mas concepcionistas. É que a ordem da Conceição da bem-aventurada Virgem Maria foi fundada por Santa Beatriz da Silva, em Toledo, na Espanha, para honrar a Conceição Imaculada de Maria, embora ainda não fosse dogma proclamado pela Igreja Católica, a Imaculada Conceição era uma verdade zelosamente defendida e, ao mesmo tempo, uma devoção bastante vivenciada pelos franciscanos. O novo bispo fez questão de que a comunidade de recolhidas trocasse o hábito religioso, até então marrom, para uma veste de cor branca e azul em homenagem a Nossa Senhora.
Realizava-se, assim, aquilo que Frei Galvão e a irmã Helena tanto haviam sonhado! A essa comunidade de recolhidas o frei dedicou suas energias para que seus membros tivessem um caminho intenso de piedade e de penitência. É bom salientar que as celas eram pequenas, sem assoalho e sem forro. Algumas dessas celas eram simplesmente de taquara. A vida das recolhidas transcorria sem conforto algum e na pobreza. Confiavam-se à Divina Providência para obter o alimento necessário à sobrevivência.
Mas algo veio interromper essa experiência: no dia 23 de fevereiro de 1775, a irmã Helena, provavelmente vítima de uma apendicite aguda, acabou por falecer. Foi um momento triste para as recolhidas e um momento difícil também para Frei Galvão. Além de perder uma pessoa extremamente dedicada a Deus, perdia também um braço direito na condução e na própria organização do recolhimento. Ele, assim, sofreu muito pela perda. Teve que dar continuidade à obra escolhendo uma nova regente e uma nova mestra, bem como uma irmã encarregada da portaria.
A morte da irmã Helena, em 23 de fevereiro de 1775, marca o fim de um capítulo importante na história do Mosteiro da Luz. Ela foi uma mulher de fé inabalável, cuja visão de fundar um novo recolhimento em São Paulo, guiada por uma mensagem divina, foi fundamental para a criação de uma comunidade dedicada à vida espiritual. Através da orientação de Frei Galvão e da aprovação das autoridades civis e eclesiásticas, o sonho de irmã Helena se concretizou, resultando na fundação do recolhimento da Luz, com sua liderança visionária. Sua partida, prematura e dolorosa, deixou um vazio no grupo, mas seu legado de devoção e dedicação a Deus perdura, sendo um marco na história religiosa de São Paulo e na formação da comunidade que ela ajudou a estabelecer.
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